sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Cortem a cabeça do mensageiro!




rainha-vermelha
Conta a história que no dia 26 de janeiro de 1926, Ernest Kanzler, um executivo da Ford e então cunhado de Edsel, filho único de Henry Ford, recorreu a um memorando de sete páginas entregue em mãos ao próprio Henry, para alertá-lo sobre as baixas nas vendas do seu produto carro chefe, o lendário Ford T.
Não só isso, no memorando, Kanzler ainda explicou de forma detalhada como a General Motors, sua principal concorrente à época, vinha exibindo uma crescente constante em suas receitas por apresentar ao mercado carros de diferentes cores e preços, uma estratégia que foi definida por Alfred P. Sloan Jr, o então CEO da companhia, como “um carro para cada bolso e para cada objetivo”, ao contrário do Ford T, que ficou conhecido por ser um “carro universal”.
Mesmo Kanzler gastando inúmeros parágrafos visando apenas amaciar o ego do sr. Ford antes de dar a notícia derradeira, o documento ainda assim não foi suficiente para fazer um dos maiores engenheiros que o mundo já conheceu acordar. Como forma de repudiar tal ousadia, Ernest Kanzler acabou sendo demitido pouco tempo depois.
Como se não bastasse a calamidade desse fato isolado, ao demitir Kanzler, Ford passou um recado aos seus demais funcionários que permaneceram na empresa: se ele foi capaz de demitir um colaborador próximo a sua família por apontar verdades óbvias naquele momento, e que eram do conhecimento de toda a nação, seria capaz de demitir quem quer que fosse.
Uma perigosa cultura de eliminar o mensageiro e não o problema havia sido criada. Ao narrar tal passagem, o professor de Harvard, Richard S. Tedlow, conta em seu livro Miopia Corporativa, que Ford caiu nesse erro porque a fantasia de que basta se livrar do mensageiro para desqualificar uma mensagem é um pensamento capaz de seduzir qualquer um, até mesmo o fabuloso CEO automobilístico.
A negação de Ford aos fatos apresentados custou a sua empresa a perda da liderança para a GM por quase oito décadas (com exceção de três anos: 1929, 1930 e 1935). O fato é que, até os últimos anos de sua vida, Henry Ford nunca mudou.
No final da Segunda Guerra Mundial, sua organização estava à beira da falência e só foi salva graças ao seu neto, Henry Ford II, que assumiu a organização e, com a ajuda de um grupo de ex-oficiais da Força Aérea norte-americana chamado Whiz Kids, contratados para revolucionar a empresa com técnicas de gestão, a trouxe de volta à vida.
Eliminar o mensageiro só demonstra o quanto a cultura de uma empresa, que em 99% dos casos é representada pelas crenças, valores e atitudes dos donos, está despreparada para enfrentar os problemas que fatalmente aparecerão em seu dia a dia.
Eliminar o mensageiro é uma maneira covarde de dizer a si mesmo que tudo está correndo bem, enquanto os demais funcionários da organização sabem que as coisas poderiam melhorar, caso alguém tivesse liberdade para se manifestar sem medo de colocar o seu cargo em risco.
Desejo honestamente que os empreendedores do futuro, e também você, se essa for a sua atividade profissional, foquem sua atenção visando eliminar o problema, e não mais o mensageiro.
Porque o dia em que os mensageiros resolverem se calar, aí sim você sentirá o peso da sua imaturidade gerencial, e sozinho, pois dessa vez, você não terá mais ninguém em quem por a culpa.

POEMA DA NOITE - Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?

Rainer Maria Rilke

by Marjorie Salu

Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.
Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.
Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.
(Tradução: Paulo Plínio Abreu)
A biografia de Rainer Maria Rilke aqui

CHARGE DO SPON - Novo anexo dos Deputados...




A vingança dos improdutivos - BY Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Presidente do Conselho do Instituto Liberal e membro-fundador do Instituto Millenium (IMIL). Rodrigo Constantino atua no setor financeiro desde 1997. Formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), com MBA de Finanças pelo IBMEC. Constantino foi colunista da Veja e é colunista de importantes meios de comunicação brasileiros como os jornais “Valor Econômico” e “O Globo”. Conquistou o Prêmio Libertas no XXII Fórum da Liberdade, realizado em 2009. Tem vários livros publicados, entre eles: "Privatize Já!" e "Esquerda Caviar".

SIM, O CLIENTE OBSERVA TUDO



Sim, o cliente está observando tudo. O cliente vai num restaurante e repara nas paredes mal pintadas, nas marcas de bolor, na sujeira da mesa, no banheiro sem condições adequadas de uso, a falta de higiene, cozinheiros sem luvas e touca e tudo mais.
O cliente também repara quando o dono da empresa fala palavrão, atende com mau humor, fala mal dos clientes que acabaram de sair da empresa, dizendo que fulano é chato, ciclano só quer desconto e criando um clima desconcertante. O cliente fica pensando o que o dono da empresa falará dele na hora em que for embora. E ninguém se sente a vontade em um ambiente onde a arrogância e a falta de educação estão presentes.
Nós, na posição de cliente, também reparamos em tudo isso e mais um pouco.
Outro caso, são funcionários com intrigas entre si e que deixam à mostra para os clientes, isso também passa uma imagem negativa. O dono, líder ou gerente deve saber o que fazer para que este tipo de situação não aconteça, pelo menos na frente dos clientes.
A fachada da empresa é o retrato de como ela é. É preciso que sua empresa esteja adequada aos padrões do seu ramo de atividade, seja na bem pintura feita, fachada bem elaborada, etc. E dentro da empresa, tudo deve oferecer conforto e um ambiente agradável onde o cliente se sinta bem.
Se o ambiente e a fachada da sua empresa não atendem aos padrões mínimos mencionados anteriormente, mude imediatamente. Faça uma reforma, arrume o que não anda bem, observe se existem intrigas entre seus colaboradores e não deixe que isso transpareça a seus clientes e observe quaisquer outros quesitos que precisem ser mudados para que a empresa não seja afetada negativamente. Vale a reflexão!
Fique atento: seus clientes percebem e enxergam tudo.
Grande abraço e sucesso.
Rafael Ivanhes